Esaú e Jacó, uma alegoria das disputas políticas
por Fátima Pereira
Mais uma vez Machado de Assis inventa uma
nova forma de narrar. Esaú e Jacó, seu
penúltimo livro (escrito em 1904), pode não ter a mesma reputação de Dom
Casmurro ou Memórias Póstumas de Brás Cubas, mas não deixará o leitor
desapontado.
A Advertência, que abre o livro, apresenta o autor
hipotético da narrativa: “Quando o conselheiro Aires faleceu,
acharam-se-lhe na secretária sete cadernos manuscritos, rijamente encapados em
papelão. [...] Tal foi a razão de se publicar somente a narrativa. Quanto ao
título, foram lembrados vários, em que o assunto se pudesse resumir, Ab ovo,
por exemplo, apesar do latim; venceu, porém, a ideia de lhe dar estes dois
nomes que o próprio Aires citou uma vez: ESAÚ E
JACÓ”, mas em muitas passagens o
foco narrativo muda, o narrador deixa
transparecer suas opiniões, utilizando da primeira pessoa e até
chega a descrever Aires um pouco de desdém, ao se referir a suas posições
sempre dúbias, concordando com todos, mesmo que suas opiniões sejam
contraditórias.
Outro fator interessante nessa obra é o diálogo com
o leitor, ou melhor, leitora, já “leitor incluso” na narrativa é
apresentado em geral como uma mulher: “O que a senhora
