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A maioria das atividades é de fácil resolução, indico sempre que o professor o faça primeiro para ver o aplicabilidade em determinada turma. Como os pedidos de gabaritos são muitos, não tenho como responder a todos.
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quarta-feira, 23 de julho de 2014

Memórias Literárias- Como nos velhos tempos - Interpretação 8º/9ºano

Outro texto finalista de 2010. Na leitura, explorar a linguagem poética, as metáforas. Eu recomendo que os alunos procurem as palavras desconhecidas no dicionário, mas não acharam "jorna" ou não com  o sentido usado no texto. Pesquisei e descobri que é moinho feito em madeira muito usado por imigrantes poloneses e ucranianos no interior  do Paraná. 

Como nos velhos tempos
Aluna: Taynara Leszcgynski

Os momentos passam, as pessoas se vão, a vida muda, o progresso aumenta, e de minha tão amada época só ficaram lembranças. Minha casa era pequena, um berço de humildade, construída com madeira lascada de pinheiro, não existia energia elétrica, tínhamos apenas um lampião de querosene. Éramos pobres, mas vivíamos num lar feliz, apesar das dificuldades em até conseguir o que comer.
No quintal havia um paiol onde guardávamos o pilão, feito de um tronco de madeira maciça escavada, onde socávamos amendoim para fazer paçoca. Tinha também o monjolo d’água e a jorna, que usávamos para fazer farinha e quirera.

domingo, 20 de julho de 2014

Memórias Literárias - Interpretação 7º/8º ano - Da escuridão para o colorido -

Texto retirado da publicação dos finalistas de Memórias Literárias - Olimpíada da Língua Portuguesa 2010. Usei-o como exemplo de um texto interessante e bem construído a partir de entrevistas e para trabalhar algumas questões de interpretação com meus alunos (estão logo abaixo do texto), geralmente eles confundem muito o discurso em 1ª e 3ª pessoa, autor e narrador, entre outras coisas.

Da escuridão para o colorido

Aluna:Évelin Cristina Nascimento da Silva

           Tristeza! É o que sinto quando abro meus olhos e vejo a mais terrível escuridão, que não cessa. O único remédio é fechá-los e deixar-me levar pelas lembranças.
          Lembro-me como se fosse ontem: bem cedinho, o sol não havia nem acordado ainda, eu já estava na estrada da minha cidade Santa Branca que nem asfaltada era, pura terra,
com uma brochura e alguns lápis dentro de uma sacolinha de arroz – pois nossa vida era difícil e papai só ganhava o suficiente para não morrermos de fome e frio. Enquanto caminhava, a poeira batia em meus olhos e os fazia ficar cheios d’água.
         

sábado, 29 de março de 2014

Sobre sucatas - Interpretação e produção 7º/8º anos - Memórias Literárias

Memórias literárias se constituem num gênero textual que mostra uma época com base em lembranças pessoais. Embora a realidade seja a base, há liberdade para recriar as situações ou os fatos narrados.  Podem ser escritas a partir de uma vivência pessoal ou com base no depoimento de uma pessoa, neste caso o autor transforma o relato num texto em primeira pessoa, como se os fatos tivessem acontecido com ele.
O texto abaixo é de Manoel de Barros é um dos maiores poetas brasileiros. Pensado inicialmente para ser uma autobiografia, o livro do qual esse texto foi retirado retrata o período da infância do poeta. Escrito em prosa poética, o texto traz a marca do autor: brincar com as palavras.


Sobre sucatas

Isto porque a gente foi criada em lugar onde não tinha brinquedo fabricado. Isto porque a gente havia que fabricar os nossos brinquedos: eram boizinhos de osso, bolas de meia, automóveis de lata. Também a gente fazia de conta que sapo é boi de cela e viajava de sapo. Outra era ouvir nas conchas as origens do mundo. Estranhei muito quando, mais tarde, precisei de morar na cidade. Na cidade, um dia, contei para minha mãe que vira na Praça um homem montado num cavalo de pedra a mostrar uma faca comprida para o alto. Minha mãe corrigiu que não era uma faca, era uma espada. E que o homem era um herói da nossa história. Claro que eu não tinha educação de cidade para saber que herói era um homem sentado num cavalo de pedra. Eles eram pessoas antigas da história que um dia defenderam a nossa Pátria. Para mim aqueles homens em cima da pedra eram sucata. Seriam sucata da história. Porque eu achava que uma vez no vento esses homens seriam como trastes, como qualquer pedaço de camisa nos ventos. Eu me lembrava dos espantalhos vestidos com as minhas camisas. O mundo era um pedaço complicado para o menino que viera da roça. Não vi nenhuma coisa mais bonita na cidade do que um passarinho. Vi que tudo o que o homem fabrica vira sucata: bicicleta, avião, automóvel. Só o que não vira sucata é ave, árvore, rã, pedra. Até nave espacial vira sucata. Agora eu penso uma garça branca do brejo ser mais linda que uma nave espacial. Peço desculpas por cometer essa verdade.

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: As infâncias de Manoel de Barros. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

ATIVIDADES