quarta-feira, 23 de julho de 2014

Memórias Literárias- Como nos velhos tempos - Interpretação 8º/9ºano

Outro texto finalista de 2010. Na leitura, explorar a linguagem poética, as metáforas. Eu recomendo que os alunos procurem as palavras desconhecidas no dicionário, mas não acharam "jorna" ou não com  o sentido usado no texto. Pesquisei e descobri que é moinho feito em madeira muito usado por imigrantes poloneses e ucranianos no interior  do Paraná. 

Como nos velhos tempos
Aluna: Taynara Leszcgynski

Os momentos passam, as pessoas se vão, a vida muda, o progresso aumenta, e de minha tão amada época só ficaram lembranças. Minha casa era pequena, um berço de humildade, construída com madeira lascada de pinheiro, não existia energia elétrica, tínhamos apenas um lampião de querosene. Éramos pobres, mas vivíamos num lar feliz, apesar das dificuldades em até conseguir o que comer.
No quintal havia um paiol onde guardávamos o pilão, feito de um tronco de madeira maciça escavada, onde socávamos amendoim para fazer paçoca. Tinha também o monjolo d’água e a jorna, que usávamos para fazer farinha e quirera.

Crônica- Os namorados da filha- Interpretação 8º/9ºano

Gostei muito dessa crônica e adaptei algumas questões. Se alguém, depois quiser conferir o gabarito, é só avisar.

Os namorados da filha

Quando a filha adolescente anunciou que ia dormir com o namorado, o pai não disse nada. Não a recriminou, não lembrou os rígidos padrões morais de sua juventude. Homem avançado, esperava que aquilo acontecesse um dia. Só não esperava que acontecesse tão cedo.
             Mas tinha uma exigência, além das clássicas recomendações. A moça podia dormir com o namorado:
            ─ Mas aqui em casa.
            Ela, por sua vez, não protestou. Até ficou contente. Aquilo resultava em inesperada comodidade. Vida amorosa em domicílio, o que mais podia desejar? Perfeito.
            O namorado não se mostrou menos satisfeito. Entre outras razões, porque passaria a partilhar o abundante café da manhã da família. Aliás, seu apetite era espantoso: diante do olhar assombrado e melancólico do dono da casa, devorava toneladas do melhor requeijão, do mais fino presunto, tudo regado a litros de suco de laranja.
             Um dia, o namorado sumiu. Brigamos, disse a filha, mas já estou saindo com outro. O pai pediu que ela trouxesse o rapaz. Veio, e era muito parecido com o anterior: magro, cabeludo, com apetite descomunal.
            

domingo, 20 de julho de 2014

Memórias Literárias - Interpretação 7º/8º ano - Da escuridão para o colorido -

Texto retirado da publicação dos finalistas de Memórias Literárias - Olimpíada da Língua Portuguesa 2010. Usei-o como exemplo de um texto interessante e bem construído a partir de entrevistas e para trabalhar algumas questões de interpretação com meus alunos (estão logo abaixo do texto), geralmente eles confundem muito o discurso em 1ª e 3ª pessoa, autor e narrador, entre outras coisas.

Da escuridão para o colorido

Aluna:Évelin Cristina Nascimento da Silva

           Tristeza! É o que sinto quando abro meus olhos e vejo a mais terrível escuridão, que não cessa. O único remédio é fechá-los e deixar-me levar pelas lembranças.
          Lembro-me como se fosse ontem: bem cedinho, o sol não havia nem acordado ainda, eu já estava na estrada da minha cidade Santa Branca que nem asfaltada era, pura terra,
com uma brochura e alguns lápis dentro de uma sacolinha de arroz – pois nossa vida era difícil e papai só ganhava o suficiente para não morrermos de fome e frio. Enquanto caminhava, a poeira batia em meus olhos e os fazia ficar cheios d’água.
         

quinta-feira, 17 de julho de 2014

Interpretação de texto 9º Ano - Crônica Caso de Secretária

Antes da leitura - ler o título e os dois primeiros parágrafos, para o levantamento de hipóteses e suspeitas inteligentes: sobre o que será o texto? A palavra caso pode ter mais de um sentido? Quais?
Após a leitura - as hipóteses se confirmaram? Os alunos perceberam qual o gênero do texto lido (se eles estão bem familiarizados com a CRÔNICA, perceberão as características presentes no texto. A questão 10 é resposta pessoal, se alguém tiver alguma dúvida quanto ao gabarito é só pedir deixando email. 

CASO DE SECRETÁRIA

Foi trombudo para o escritório. Era dia de seu aniversário, e a esposa nem sequer o abraçara, não fizera a mínima alusão á data. As crianças também tinham se esquecido. Então era assim que a família o tratava? Ele que vivia para seus, que se arrebentava de trabalhar, não merecer um beijo, uma palavra ao menos!
Mas no escritório, havia flores à sua espera, sobre a mesa. Havia o sorriso e o abraço da secretária, que poderia muito bem ter ignorado o aniversário, e entretanto o lembrava. Era mais do que uma auxiliar, atenta, experimentada e eficiente, pé-de-boi da firma, como até então a considerara; era um coração amigo.
Passada a surpresa, sentiu-se ainda mais borocochô: o carinho da secretária não curava, abria mais a ferida. Pois então uma estranha se lembrava dele com tais requintes, e a mulher e os filhos, nada?