sábado, 26 de julho de 2014

Interpretação de Texto 8/9º Ano- Crônica - Medidas, no espaço e no tempo



(Atividade retirada do Saresp 2007)
 
Medidas, no espaço e no tempo, de Stanislaw Ponte Preta
Sérgio Porto
 
A medida, no espaço e no tempo, varia de acordo com as circunstâncias. E nisso vai o temperamento de cada um, o ofício, o ambiente em que vive.
Nossa falecida avó media na base do novelo. Pobre que era, aceitava encomendas de crochê e disso tirava o seu sustento. Muitas vezes ouvimo-la dizer: – Hoje estou um pouco cansada.Só vou trabalhar três novelos.
Nós todos sabíamos que ela levava uma média de duas horas para tecer cada um dos rolos de lã. Por isso, ninguém estranhava quando dizia que queria jantar dali a meio novelo. Era só fazer a conversão em horas e botar a comida na mesa sessenta minutos depois.
Os índios, por sua vez, marcavam o tempo pela lua. Isso é ponto pacífico, embora, há alguns anos, por distração, eu assistisse a um desses terríveis filmes de carnaval do Oscarito, em que apareciam diversos índios, alguns dos quais, com relógio de pulso. Sim, os índios medem o tempo pelas luas, os ricos medem o valor dos semelhantes pelo dinheiro, vovó media as horas pelos seus novelos e todos nós, em maior ou menor escala, medimos distâncias e dias com aquilo que melhor nos convier.

quarta-feira, 23 de julho de 2014

Memórias Literárias- Como nos velhos tempos - Interpretação 8º/9ºano

Outro texto finalista de 2010. Na leitura, explorar a linguagem poética, as metáforas. Eu recomendo que os alunos procurem as palavras desconhecidas no dicionário, mas não acharam "jorna" ou não com  o sentido usado no texto. Pesquisei e descobri que é moinho feito em madeira muito usado por imigrantes poloneses e ucranianos no interior  do Paraná. 

Como nos velhos tempos
Aluna: Taynara Leszcgynski

Os momentos passam, as pessoas se vão, a vida muda, o progresso aumenta, e de minha tão amada época só ficaram lembranças. Minha casa era pequena, um berço de humildade, construída com madeira lascada de pinheiro, não existia energia elétrica, tínhamos apenas um lampião de querosene. Éramos pobres, mas vivíamos num lar feliz, apesar das dificuldades em até conseguir o que comer.
No quintal havia um paiol onde guardávamos o pilão, feito de um tronco de madeira maciça escavada, onde socávamos amendoim para fazer paçoca. Tinha também o monjolo d’água e a jorna, que usávamos para fazer farinha e quirera.

Crônica- Os namorados da filha- Interpretação 8º/9ºano

Gostei muito dessa crônica e adaptei algumas questões. Se alguém, depois quiser conferir o gabarito, é só avisar.

Os namorados da filha

Quando a filha adolescente anunciou que ia dormir com o namorado, o pai não disse nada. Não a recriminou, não lembrou os rígidos padrões morais de sua juventude. Homem avançado, esperava que aquilo acontecesse um dia. Só não esperava que acontecesse tão cedo.
             Mas tinha uma exigência, além das clássicas recomendações. A moça podia dormir com o namorado:
            ─ Mas aqui em casa.
            Ela, por sua vez, não protestou. Até ficou contente. Aquilo resultava em inesperada comodidade. Vida amorosa em domicílio, o que mais podia desejar? Perfeito.
            O namorado não se mostrou menos satisfeito. Entre outras razões, porque passaria a partilhar o abundante café da manhã da família. Aliás, seu apetite era espantoso: diante do olhar assombrado e melancólico do dono da casa, devorava toneladas do melhor requeijão, do mais fino presunto, tudo regado a litros de suco de laranja.
             Um dia, o namorado sumiu. Brigamos, disse a filha, mas já estou saindo com outro. O pai pediu que ela trouxesse o rapaz. Veio, e era muito parecido com o anterior: magro, cabeludo, com apetite descomunal.
            

domingo, 20 de julho de 2014

Memórias Literárias - Interpretação 7º/8º ano - Da escuridão para o colorido -

Texto retirado da publicação dos finalistas de Memórias Literárias - Olimpíada da Língua Portuguesa 2010. Usei-o como exemplo de um texto interessante e bem construído a partir de entrevistas e para trabalhar algumas questões de interpretação com meus alunos (estão logo abaixo do texto), geralmente eles confundem muito o discurso em 1ª e 3ª pessoa, autor e narrador, entre outras coisas.

Da escuridão para o colorido

Aluna:Évelin Cristina Nascimento da Silva

           Tristeza! É o que sinto quando abro meus olhos e vejo a mais terrível escuridão, que não cessa. O único remédio é fechá-los e deixar-me levar pelas lembranças.
          Lembro-me como se fosse ontem: bem cedinho, o sol não havia nem acordado ainda, eu já estava na estrada da minha cidade Santa Branca que nem asfaltada era, pura terra,
com uma brochura e alguns lápis dentro de uma sacolinha de arroz – pois nossa vida era difícil e papai só ganhava o suficiente para não morrermos de fome e frio. Enquanto caminhava, a poeira batia em meus olhos e os fazia ficar cheios d’água.