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domingo, 30 de março de 2014

Duas e três - crônica- Interpretação 8º/9º anos

Duas e três


Levei um susto quando aquela voz soprou em minha nuca:
          - Se tu é bom, mata essa: “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três.”
 Voltei-me para ver quem falava. Era um homem quarentão, alto e gorducho, de roupas imundas, rasgadas, e cara encardida. Uma cara simpática de gângster regenerado.
 Ele ria:
- Mata essa, vamos!
 Era de manhã cedo, em junho, e fazia um frio agradável. Acordara e, sem ter para onde ir, sentei-me naquele banco da praça Floriano, em frente à Biblioteca Nacional, à espera de que ela abrisse. Meu velho terno marrom esfiapava nas mangas, o sapato empoeirado, a barba por fazer. “Esse homem está me tomando por um vagabundo”, pensei comigo. E achei divertido.
          - Matar o quê?
  - A charada, meu besta!
O velho se debruçava em cima de mim, com um riso gozador. Fedia a suor e molambo. Afastei-o um pouco, com o braço e, meio sem saber o que fizesse, acedi.
 - Como é mesmo a charada?
- Só repito esta vez, tá bom? “Não durmo no Rio porque tenho pressa; duas e três”
          Sempre fui um fracasso para matar charadas. Fiz um esforço para penetrar nas palavras, mas em vão.
         - Digo mais. – esclareceu-me o vagabundo. – Chaves: “Não durmo no Rio” e “Rio”. Conceito: “pressa”... Mas você é burro, hei.
Donde diabo viera aquele cara impertinente, para me obrigar a resolver uma charada àquela hora da manhã? Mas meu orgulho estava em jogo. Pensava e o pensamento escapulia.
         - Não consigo decifrar. Não me amola.
- Então você perdeu.
- É, perdi.
- Então paga.
- Paga o quê?
- Duas pratas, meu Zé. Você perdeu!
 Era incrível. Comecei a rir. Ele também ria e dizia: “Paga, duas pratas.” Dei-lhe uma cédula de dois cruzeiros e fiquei ali rindo enquanto ele se afastava arrastando seus sapatos furados.
Semanas depois, estava eu no Passeio Público, quando ele veio com a mesma conversa, com se nunca me tivesse visto. “Mata essa: não durmo no Rio, porque tenho pressa; duas e três.” Respondi-lhe em cima da bucha: “Não durmo, velo; no Rio. cidade: velocidade. “Ele ficou desapontado. “Você perdeu”, disse-lhe eu.“Paga duas pratas.” Olhou-me sério, meteu a mão no bolso e estendeu-me duas notas imundas. Fomos tomar juntos um café na Lapa.

GULLAR, Ferreira. O melhor da crônica brasileira. 1 Ferreira
Gullar...[ET al.]. – 5ª Ed. – Rio de Janeiro: José Olympio, 2007.


Após ler o texto com atenção, responda as questões abaixo:

sábado, 29 de março de 2014

Sobre sucatas - Interpretação e produção 7º/8º anos - Memórias Literárias

Memórias literárias se constituem num gênero textual que mostra uma época com base em lembranças pessoais. Embora a realidade seja a base, há liberdade para recriar as situações ou os fatos narrados.  Podem ser escritas a partir de uma vivência pessoal ou com base no depoimento de uma pessoa, neste caso o autor transforma o relato num texto em primeira pessoa, como se os fatos tivessem acontecido com ele.
O texto abaixo é de Manoel de Barros é um dos maiores poetas brasileiros. Pensado inicialmente para ser uma autobiografia, o livro do qual esse texto foi retirado retrata o período da infância do poeta. Escrito em prosa poética, o texto traz a marca do autor: brincar com as palavras.


Sobre sucatas

Isto porque a gente foi criada em lugar onde não tinha brinquedo fabricado. Isto porque a gente havia que fabricar os nossos brinquedos: eram boizinhos de osso, bolas de meia, automóveis de lata. Também a gente fazia de conta que sapo é boi de cela e viajava de sapo. Outra era ouvir nas conchas as origens do mundo. Estranhei muito quando, mais tarde, precisei de morar na cidade. Na cidade, um dia, contei para minha mãe que vira na Praça um homem montado num cavalo de pedra a mostrar uma faca comprida para o alto. Minha mãe corrigiu que não era uma faca, era uma espada. E que o homem era um herói da nossa história. Claro que eu não tinha educação de cidade para saber que herói era um homem sentado num cavalo de pedra. Eles eram pessoas antigas da história que um dia defenderam a nossa Pátria. Para mim aqueles homens em cima da pedra eram sucata. Seriam sucata da história. Porque eu achava que uma vez no vento esses homens seriam como trastes, como qualquer pedaço de camisa nos ventos. Eu me lembrava dos espantalhos vestidos com as minhas camisas. O mundo era um pedaço complicado para o menino que viera da roça. Não vi nenhuma coisa mais bonita na cidade do que um passarinho. Vi que tudo o que o homem fabrica vira sucata: bicicleta, avião, automóvel. Só o que não vira sucata é ave, árvore, rã, pedra. Até nave espacial vira sucata. Agora eu penso uma garça branca do brejo ser mais linda que uma nave espacial. Peço desculpas por cometer essa verdade.

BARROS, Manoel de. Memórias inventadas: As infâncias de Manoel de Barros. São Paulo: Editora Planeta do Brasil, 2010.

ATIVIDADES 

quarta-feira, 26 de março de 2014

Interpretação: O turismo da bondade

Atividade com texto jornalístico, as questões ao final do texto servem de sugestão para a interpretação, como identificar o veículo de publicação, quem escreveu etc.
O turismo da bondade
Jovens adeptos do intercâmbio voluntário viajam pelo mundo para trabalhar em instituições filantrópicas e, segundo eles,  buscar o crescimento pessoal

No mundo inteiro, o intercâmbio estudantil é uma maneira tradicional de os jovens viajarem para o exterior para aprender um segundo idioma e entrar em contato com outras culturas. Agora, uma variante desse tipo de programa vem se popularizando, inclusive no Brasil – o intercâmbio voluntário. Ele consiste em viajar para outro país não apenas para estudar, mas para engajar-se em atividades filantrópicas ou auxiliar entidades de preservação ambiental. Segundo os estudantes, essa é uma forma de se sentir útil, ajudar o próximo ou colaborar para a saúde do planeta, obtendo como recompensa o crescimento pessoal. De quebra, o voluntariado enriquece o currículo. Nos Estados Unidos e em vários países da Europa, muitas escolas de ensino médio e faculdades exigem que o aluno, para receber o diploma, tenha cumprido um mínimo de horas de trabalho voluntário. Exercer esse trabalho em outro país é mais enriquecedor e divertido. As agências de intercâmbio brasileiras informam que a procura por programas desse tipo cresceu três vezes nos últimos dois anos.

sábado, 22 de março de 2014

Como corrigir redação

Se você tem alguma dica ou sugestão sobre esse tema, compartilhe conosco.

Correção de redação

Um dos grandes questionamentos que tenho recebido por email é sobre a correção da redação. Sinceramente não é um tema fácil, pois não há receitas infalíveis. O professor, com tantos afazeres nem sempre consegue corrigir tudo como gostaria, e vai descobrindo, com o tempo e a experiência, como dar conta de parte relevante do ensino de português, pois os alunos devem ser leitores autônomos e escritores eficientes, pois ter o domínio da linguagem verbal é imprescindível para as práticas sociais.

Para escrever, primeiramente o aluno precisa cultivar o hábito de ler, interpretando e construindo conhecimentos, elaborando novas criações numa
perspectiva crítica a partir do seu conhecimento de mundo. Nesse contexto, antes de produzir um determinado texto, é importante que o aluno entre em contato com diversos exemplares de um gênero, extraídos de diferentes fontes e suportes. Nesse aspecto, conhecer bem os diversos gêneros, ser capaz de planejar o texto, verificar se o texto atendeu à proposta, fazer a revisão, a refacção, são etapas importantes para a construção da escrita.

Ao propor o trabalho de produção textual, o professor primeiramente precisa definir seu objetivo. Deve fornecer ao aluno informações claras sobre a proposta, o tema, o gênero e outras que achar relevante para o bom desempenho da tarefa.
Também é interessante que primeiramente façam um rascunho, assim o professor pode intervir durante a elaboração e só depois fazer a produção que será corrigida, e se ainda for preciso, a reescrita.

“Tipos” de correção

quinta-feira, 13 de março de 2014

Palavra puxa palavra...brincando de poesia

 Dia Nacional da Poesia

A data foi criada em homenagem ao poeta Castro Alves (1847-1871), em 14 de março, dia de seu nascimento. Castro Alves ficou conhecido como o “poeta dos escravos” por ter lutado arduamente pela abolição da escravatura no Brasil.

Aproveite o dia para ler muitos poemas, e também brincar de poesia, a atividade abaixo é bem simples mas a criançada gosta muito.

Sugestão de atividade:

1.Aproveitando a ideia de improvisação da dinâmica Se eu fosse...seria, podemos brincar de fazer poesia:

Colocar numa caixa as tiras recortadas contendo as palavras indicadas (ex.: verão; férias; chuva; inverno; fruta; noite...). Cada aluno tira um papel e começa seu poema a partir da palavra indicada.

Ex.:  
Se fosse verão
seria calor

Se fosse calor
seria sol

Se fosse sol
seria passeio
     [...]

Continuar com as associações, mas o último verso deve ser igual ao primeiro:

Se fosse ...
seria verão.


quarta-feira, 12 de março de 2014

CAÇA - PALAVRAS DE VERBOS

Atividade: 

Para descobrir os verbos que estão no caça-palavras, tente completar as
as frases. Depois não esqueça de preencher a tabela.
B
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1.    Você _________meu livro de inglês?