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quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

Uso excessivo de tecnologia pode causar problemas à saúde

Fátima Pereira – Jornal Super@SP – edição novembro de 2013

Uso excessivo de tecnologia pode causar problemas à saúde

Você já ouviu falar em Nomofobia, Tecnoestresse ou Transtorno da Dependência de Internet? Novas “doenças” da vida moderna afetam de crianças a adultos


Vivemos em plena Revolução Tecnológica, e em como toda revolução, as mudanças são profundas e radicais. Todo dia surge algo novo, fantástico que desperta o interesse de milhões de pessoas ao redor do mundo, invenções ou descobertas que mudam a vida para melhor. Para fazer parte desse mundo globalizado, a comunicação é vital, a informação circula instantaneamente.
 Nesse contexto é inegável a importância das novas tecnologias de informação e de comunicação na sociedade moderna, é possível fazer compras, acessar a conta bancária, rever ou encontrar amigos, estudar, pesquisar, conhecer outros lugares, culturas, tudo sem sair do lugar. Basta um click, um comando e a janela para o mundo se abre. Pesquisas mostram que no Brasil existiam 83 milhões de usuários de Internet em 2012 (Fonte: PNAD), o que correspondia a 46,5% da população com 10 anos ou mais de idade. Dados preliminares da Anatel indicam que o Brasil terminou o mês de outubro de 2013 com 269,9 milhões de celulares, o que indica que muitos brasileiros possuem mais de um celular.
Se por um lado essas tecnologias geram grandes e importantes transformações na sociedade, infelizmente geram alguns distúrbios que já não passam despercebidos. Novas “doenças” aparecem em pesquisas e preocupam cientistas e médicos, já são consideradas como transtornos da era tecnológica. Com o uso de celulares (e outros dispositivos móveis) e acesso às redes cada vez mais cedo, a tendência dessas “doenças” é aumentar, atingindo, principalmente, crianças e jovens.

NOMOFOBIA

É um transtorno cada vez mais comum, é o medo de ficar incomunicável, longe do celular ou sem conexão. A palavra surgiu na Inglaterra, a partir da expressão No Mobile Phobia”, fobia de ficar sem telefone móvel. Ter o celular sempre à mão, todo o tempo, inclusive quando dorme; deixar a atividade que está fazendo, mesmo que seja importante, só para atender o celular; ficar tenso se não estiver com o celular ou se esqueceu em algum lugar; levar o celular até para ir ao banheiro, são alguns dos indícios de nomofobia.
Há pessoas que relatam que dormem com o celular sob o travesseiro, para não perder uma ligação ou verificar uma mensagem. Se a pessoa passa a gastar um tempo cada vez maior com o uso do celular, se afastando da convivência ou deixando de fazer outras atividades e apresenta sintomas desagradáveis quando está sem o aparelho, como irritabilidade, agitação e taquicardia, está na hora de ficar atento e se necessário, procurar ajuda.

TECNOESTRESSE

O uso excessivo da tecnologia pode provocar ansiedade, dificuldades de concentração, irritabilidade, entre outros sintomas. O tecnoestresse não está apenas relacionado ao computador, mas com qualquer forma de tecnologia, sejam eletrodomésticos, celulares e até mesmo o carro.
O termo apareceu pela primeira vez nos estudos do psicólogo americano Dr. Larry Rosen, que estuda como a tecnologia afeta as pessoas, física ou emocionalmente. No Brasil há várias pesquisas sobre o assunto e principalmente no que diz respeito aos jovens que cresceram já na era digital. Se por um lado o uso de novas tecnologias de informação instigam os jovens, agilizam o raciocínio, a criatividade, a interação, por outro lado, o excesso ou mau uso dessas tecnologias pode ter um efeito negativo, tanto na saúde física como mental.
De acordo com o psicólogo Cristiano Nabuco, do Instituto de Psiquiatria da USP, o excesso do uso de tecnologia "É mais preocupante em crianças e adolescentes, porque nessa faixa etária o cérebro ainda não atingiu sua maturidade, não exerce plenamente a função de controle de impulsos". No caso de crianças e jovens, os sintomas vão desde ansiedade, insônia, irritabilidade, isolamento, obesidade (por falta de exercícios físicos, preferem passar horas jogando no computador, vídeo game ou no celular, e acabam se alimentando de forma errada), enxaquecas, dores musculares até baixo rendimento escolar. Outro problema entre jovens são os fones de ouvido, geralmente a música no último volume pode causar uma perda gradual de audição.

TRANSTORNO DA DEPENDÊNCIA DE INTERNET

Com os dispositivos móveis o acesso à internet em qualquer hora ou lugar e novos aplicativos, as pessoas passam cada vez mais tempo conectadas. O mundo virtual começa a ter mais importância que  o mundo real. Passar do limite do uso saudável que se faz da internet nem sempre fica perceptível, o usuário nem sempre se dá conta que está perdendo o controle e poderá em um futuro próximo ter um sério problema: o vício, comparado por especialistas a outros vícios como drogas ou álcool.
A comparação parece, em um primeiro momento, muito forte, mas há relatos em que a pessoa passa a ficar on-line cada vez por mais tempo, sem se dar conta, deixando de realizar outras atividades relevantes, a ter menor desempenho intelectual, começa a viver mais no mundo virtual que o real e pode sofrer crises de abstinência quando está desconectado. As redes sociais e os jogos on-lines estão na preferência dos jovens e o excesso de conectividade pode atrapalhar os estudos, o trabalho e até os relacionamentos (família, amigos, namoro), além de causar transtornos físicos ou psicológicos, como ansiedade, depressão, irritabilidade, alteração do humor, entre outros.

RELAÇÃO SAUDÁVEL COM A TECNOLOGIA

É preciso estar alerta aos primeiros sinais de dependência, algumas pessoas são mais suscetíveis que outras. Os pais devem ficar atentos, já que crianças e jovens são mais propensos ao consumismo excessivo de tecnologia, querem sempre as últimas novidades, muitas vezes deixam de brincar com amigos, de fazer atividades físicas, de realizar os deveres da escola, para passar horas navegando em redes sociais, ou jogando. Sem contar dos perigos que a rede oferece, como pornografia, aliciamento ou cyberbullying. Outro fator preocupante é o isolamento social, quando o jovem tem mais amigos virtuais do que reais, o que pode esconder outros problemas emocionais. Como em qualquer doença, o melhor é a prevenção. Não é preciso deixar de lado toda essa tecnologia, mas sim fazer um uso saudável, ter bom senso quanto ao tempo gasto e de que maneira se relaciona com toda essa tecnologia. Os pais precisam impor limites e observar com atenção o comportamento de seus filhos, para que o uso excessivo de tecnologia não cause prejuízo no desenvolvimento pessoal dessa criança ou jovem.
Mas se esse limite do saudável já foi extrapolado, está na hora de procurar ajuda profissional, pois como todo vício, precisa de tratamento.

Se você se interessou pelo assunto, há outras informações e orientações, além de um teste na página http://dependenciadeinternet.com.br/ do Programa Ambulatorial Integrado de Transtornos de Impulso, do Hospital das Clínicas, que atua no tratamento ambulatorial de jovens e adultos da Dependência de Internet.



3 comentários:

  1. Muito boa sua postagem!!!Amei!! Posso usá- com meus alunos? citando a fonte claro!!

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  2. Claro Silvia, pode usar sim, essa é a ideia, partilhar. Um abraço,

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  3. Irei utilizar como referência para um trabalho! Como a Silvia, irei citar a fonte! Abraços!

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