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domingo, 25 de outubro de 2015

O Menino no espelho - Interpretação 6º ano

Esse é um trecho do livro O menino do espelho, uma boa indicação de leitura para os alunos. Se precisar de gabarito para conferir, é só pedir por email.

O menino no espelho

   Levantava a perna, e ele levantava também, ao mesmo tempo. Abria os braços e ele fazia o mesmo. Coçava a orelha, e ele também.
   [...] Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como se agora estou absolutamente sério?
  [...] Um calafrio me corre pela espinha, arrepiando a pele: há alguém vivo dentro do espelho! Um outro eu, o meu duplo, realmente existe! Não é imaginação, pois ele ainda está sorrindo, e sinto o contato de sua mão na minha, seus dedos aos poucos entrelaçarem os meus.
   
   Puxo a mão com cuidado, descolando-a do espelho. Em vez da outra mão se afastar, ela vem para fora, presa à minha. Afasto-me um passo, sempre a puxar a figura do espelho, até que ela se destaque de todo, já dentro do meu quarto, e fique à minha frente, palpável, de carne e osso, como outro menino exatamente igual a mim.
   – Você também se chama Fernando? – pergunto, mal conseguindo acreditar nos meus olhos.
   – Odnanref – responde ele, e era como se eu próprio tivesse falado: sua voz era igual à minha. 
    – Odnanref?
   Sim, Odnanref. Fernando de trás para diante. Era em tudo semelhante a mim, menos em relação à direita e à esquerda, que nele eram o contrário, sendo natural, pois, que seu nome, isto é, o meu fosse ao contrário também. Por uma coincidência, Odnanref era o meu nome de guerra, na sociedade secreta Olho de Gato.
    – Por isso mesmo – confirmou Odnanref, dando-me um tapinha nas costas e rindo, feliz:
   - Foi você que me desencantou, adotando o meu nome. Senão eu jamais teria vindo, pois a lei do mundo dos espelhos proíbe terminantemente que a gente venha ao mundo de vocês. A menos que alguém consiga desvendar o nosso encanto. O meu era esse, e você adivinhou. Eu só estava esperando que você me puxasse, como acabou de fazer.
   Deslumbrado com a perspectiva de ter alguém igual a mim, como um perfeito irmão gêmeo, eu não imaginava as dificuldades que iria enfrentar. A falta de minha imagem no espelho, por exemplo, era uma delas: me criava problemas para pentear os cabelos ou escovar os dentes sem poder me ver.
   Combinamos que, a partir de então, ele me substituiria quando eu quisesse, mas jamais deveríamos ser vistos juntos. Ninguém poderia desconfiar de nossa existência dupla, pois com isso se acabaria o encanto, significando o seu imediato regresso, para todo o sempre, ao interior do espelho.
   Em compensação, ele me revelou uma surpresa a mais, como se fosse pouco o milagre de sermos dois: sempre que eu quisesse, poderia ver, ouvir, pensar e sentir tudo o que ele via, ouvia, pensava e sentia. Se ele comesse um doce, por exemplo, eu podia sentir o gosto; se achasse graça em alguma coisa, eu podia rir, mesmo que estivesse a quilômetros de distância. O importante é que só se dava quando eu quisesse: das coisas ruins ou simplesmente sem graça eu me dispensaria de tomar conhecimento.
   O que significava que ele poderia tomar remédio em meu lugar. E assistir às aulas mais cacetes (para mim eram quase todas), sem que eu deixasse de aprender o que nelas se ensinasse. Poderia até mesmo fazer provas para mim, enquanto eu ia empinar papagaio, pegar passarinho, jogar pião ou bola de gude.
   E assim foi, durante algum tempo. Nunca me diverti tanto. Só que eu tinha de tomar muito cuidado para não trair o meu segredo.

(Fernando Sabino, trecho do livro O menino no espelho. 91e Ed. - Rio de Janeiro: Record, 2012, pp. 114-118.)

Atividades

1. Complete:
Narrador

Personagens

Cenário

Enredo


Conflito


Desenvolvimento



2.O que o menino viu no espelho?

3. “Quando volto a olhá-lo no rosto, vejo assombrado que ele continua a sorrir. Como se agora estou absolutamente sério?”
Nesse trecho percebe-se que o menino fica surpreso. Por quê?


4.Fernando, descobre que tem um duplo, no começo teve dúvidas. Como ele conseguiu ter certeza de que a visão era real?

5. Para a alegria de Fernando, o duplo adquire uma forma viva. Que fato contribuiu para o surgimento de Odnanref?

6.Por que Odnanref deveria manter-se no anonimato?

7. a)O texto constitui uma narrativa em que os fatos são:     (    ) reais          (    ) fictícios
     b) Justifique sua resposta.

8. Explique o acontecimento que fez Odnanref voltar para o espelho.
9. Assinale a alternativa que responde à questão abaixo:
Qual foi a intenção do texto ao dar uma possibilidade que não existe na vida real?
(    ) Mostrar que todo mundo pode conversar com quem quiser.
(    ) Revelar que as coisas são vistas sempre do mesmo jeito.
(    ) Mostrar que é possível que alguém se veja de uma maneira diferente.

10. Se você tivesse “um duplo”, que tarefas gostaria que ele fizesse em seu lugar?

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