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domingo, 20 de julho de 2014

Memórias Literárias - Interpretação 7º/8º ano - Da escuridão para o colorido -

Texto retirado da publicação dos finalistas de Memórias Literárias - Olimpíada da Língua Portuguesa 2010. Usei-o como exemplo de um texto interessante e bem construído a partir de entrevistas e para trabalhar algumas questões de interpretação com meus alunos (estão logo abaixo do texto), geralmente eles confundem muito o discurso em 1ª e 3ª pessoa, autor e narrador, entre outras coisas.

Da escuridão para o colorido

Aluna:Évelin Cristina Nascimento da Silva

           Tristeza! É o que sinto quando abro meus olhos e vejo a mais terrível escuridão, que não cessa. O único remédio é fechá-los e deixar-me levar pelas lembranças.
          Lembro-me como se fosse ontem: bem cedinho, o sol não havia nem acordado ainda, eu já estava na estrada da minha cidade Santa Branca que nem asfaltada era, pura terra,
com uma brochura e alguns lápis dentro de uma sacolinha de arroz – pois nossa vida era difícil e papai só ganhava o suficiente para não morrermos de fome e frio. Enquanto caminhava, a poeira batia em meus olhos e os fazia ficar cheios d’água.
         
Eu ia cantarolando que nem um sabiá até chegar à escola Barão de Santa Branca,
hoje bem conhecida na cidade e antigamente a única. Recordo-me de que lá havia um muro para meninos e meninas não ficarem misturados. Bobagem! Ai de nós se tentássemos olhar para elas... A régua cantava na palma de nossas mãos, parecia que os professores sentiam prazer em fazer isso, eram rígidos demais.
         Assim que saíamos da escola, eu e meus amigos íamos nadar atrás da fábrica de trigo, que hoje não existe mais – nem a fábrica, nem as águas limpas. Depois íamos jogar bola atrás do mercado municipal, onde hoje é o posto de saúde. Ficávamos parecendo tatus, a terra grudava nas roupas e na pele molhada. Depois disso dávamos mais um pulo na cachoeira, pois se chegássemos assim em casa a vara de amora era o presente para nossas pernas.
          O mais engraçado era ver d. Dolores dirigindo. Se surgia uma nuvem de poeira, podíamos ter a certeza de que era ela com seu Chevrolet. Afinal, era a única mulher de Santa Branca que dirigia.
          Não posso me esquecer dos cortejos: a cidade inteira seguindo um caixão, sem saberquem estava dentro. Havia uma banda que tocava para o defunto e ele tinha direito até a foto. Dá para acreditar nisso? Mamãe me dizia para não dar risadas nem ir ver o rosto do morto, principalmente se fosse gente ruim, senão ele poderia voltar para assombrar. O sino da delegacia tocava pontualmente às 21 horas para todos se recolherem, era uma época bem perigosa. De noite a cidade era iluminada por lampião de querosene – isso a deixava mais sombria.
          Foi minha melhor época, mas hoje sou velho, e a cegueira tomou conta dos meus olhos.
          Tenho saudade do colorido que hoje só vejo em minha mente através das lembranças do passado.   Escuridão é o que eu vejo, mas jamais sairá de mim a magia de recordar.

(Texto baseado na entrevista feita com o sr. Sarkis Ramos Alwan, 41 anos.) 


Após ler o texto com atenção, responda:
  
1. O texto está narrado em qual pessoa do discurso?

2. A autoria é da mesma pessoa sobre a qual se conta a história? Justifique.

3. Este texto pertence ao gênero:
(    ) biografia          (    ) autobiografia   (    ) entrevista     (    ) memórias literárias

4. O texto foi construído a partir de coleta de dados. Qual foi o recurso usado para isso?

5.De que fase da vida o narrador se lembra no texto? 

7.Na infância do narrador, há mais momentos felizes ou tristes? Retire do texto um episódio que justifique sua resposta.

8.Qual a importância das lembranças para este entrevistado em especial? 

9.Qual detalhe mais lhe chamou a atenção sobre o que foi contado? 


10. Justifique o título do texto.

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